domingo, outubro 23, 2005

Metro do Chiado

Às vezes achava que se tivesses passado por minha casa depois daquela discussão, aos 16 anos, ainda hoje estaríamos juntos e para longe levaria o vento o homem que me respira. Depois cresci e tive certezas que o tempo apagou, aceitei o certo e fechei os olhos, na esperança que a vida fosse paralela ao azar. Engravidei jovem, acordei velha e nunca mais me lembrei que aos 16 a vida corre doce e a morte está longe. Devia ter sido eu a passar por tua casa, a subir ofegante as escadas para te encontrar triste pela nossa distância. Mas deixei expirar tudo isso e hoje, depois de às 8 em ponto,te ter visto a descer o metro do Chiado com uma criança de bata pela mão, soube que a vida é clara. Nada virá a quem nada deu.
Que acontece a seguir?

24 Comments:

Blogger SGTZ said...

Há conversas que têm de ser bem explicadas...que não podem ser mal interpretadas...
Não há nada pior no mundo do que: "E se eu tivesse..."

Eu também tenho uma história parecida com essa...

4:10 da tarde  
Blogger Mary Mary said...

Essa dúvida existirá sempre, façamos tudo o que tiver ao nosso alcance, ou talvez não.

Há sempre essas dúvidas, existirão sempre... Temos que aprender a viver com elas e não pensar muito no assunto. Se bem que por vezes é mais forte do que nós...

1:55 da manhã  
Blogger jota said...

ficam as dúvidas, mas valem as acções.
por isso, enterrem-se as incertezas do passado e resolvam-se bem, se as houver, as do futuro.
GTT!!
:)

11:59 da manhã  
Blogger Miss Xangai said...

E ninguém continua a história? Isto é ficção não é minimamente biográfico...

1:14 da tarde  
Blogger jota said...

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2:19 da tarde  
Blogger jota said...

se fosse autobiográfico é que havia aqui um berbicachozinho!
pelo menos para o meu lado, digo eu, não sei...
allora, que acontece a seguir?
"ela cai das escadas, espeta-se de boca no chão.
mesmo tendo ela ficado sem um dente da frente, ele larga a criança (que nem sequer era dele, era o filho da porteira) e corre para a ajudar.
enquanto lhe limpa o sangue das beiças e apanha o dente caído, repara que é ela, a pessoa por quem tinha desistido dos lenços e passado directamente ao rolo de papel higiénico!
abraça-a com força para não a perder de novo.
ela diz-lhe:
"pá, olha aí que tás-me a magoar a omoplata esquerda, não viste que acabei de dar uma valente queda??..."
ele larga-a num repente, mas apenas para a ver cair de costas, desamparada em direcção ao solo.
e o solo, pronto para a receber de novo, com tanta dureza como a sentida por ele, depois daquela discussão aos 16 anos....."

(no pares, sigue, sigue...)

2:20 da tarde  
Blogger Mary Mary said...

Eh lá, competir com o Jota não sei não. Ele tem uma imaginação do caraças... Vamos tentar!

Engravidaste jovem e não sabias. A criança com a bata é a tua filhota há muito perdida.
E qual mãe leoa lança-se nos braços do seu antigo amor. Ele recebe-a de braços abertos. Ela aproveita os braços estendidos dele e faz um golpe de Karate Kid e atira o pobre coitado escada acima. Agarra na pequenota e vai-se embora. Sobe as escadas lentamente feliz da vida. Passa pelo desgraçado que leva um pontapé de tal calibre que ele vai estirar-se ao comprido em cima da linha de metro.
A pequenota corre em auxílio do pai, passa o metro e de repente ela pensa "E se..." Ups, tarde demais, os outros dois estão esmigalhados. E ela vira-se para o que está a contar a história (neste caso, eu) e diz: "Dah, E se eu agora fosse ali à Fnac comprar um livro, era uma boa!" E pronto, remeto-me ao silêncio e ela segue caminho.

Ui, esta história saiu muito mórbida... SAFA! Pardon... :P

4:27 da tarde  
Blogger Jameson said...

só me rio... só me rio!!!

4:35 da tarde  
Blogger joaopedromira said...

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1:38 da manhã  
Blogger joaopedromira said...

o sangue correu-me pela última vez.
Foste o meu azar.
numa geometria perfeita soube que não mais irias cruzar-me.
Então,
descobri um silêncio que te substituisse.
elegi um tempo rasteiro que me acompanhasse.
esquecido o dia de intersecção,
os possíveis "depois" roídos em ira,
desiquilibraste-me para sempre,
tombei
morri.

1:53 da manhã  
Blogger MPR said...

Pronto neste post perdi-me! Primeiro uma história dramática para continuar. Com os comentários a seguir fiquei a pensar que tinha percebido mal o post (afinal não!). Mas virou totalmente para a comédia! Já a última continuação parece não ter nada a ver com as anteriores! E agora onde é que eu pego??

10:10 da manhã  
Blogger Miss Xangai said...

Pega onde quiseres. Se quiseres constroi outro final. Se quiseres pega no do jota, as you wish!

10:42 da manhã  
Blogger MPR said...

Mortos os dois! A miuda chora desesperada ao se aperceber que não tinha dinheiro para comprar o tal livro na Fnac, e que o porta moedas do pai não passa agora de papel reciclado na linha do metro. Antes que a multidão se juntasse já ela tinha fugido escada acima. Entrou na loja vagueante, passava os olhos deambulantes pelas filas intermináveis de histórias e aventuras que nunca iria lêr.
Às tantas um som... "Psst...". Olhou em volta mas não vendo ninguem continuou a sua lenta procissão. "Psst... aqui, aqui em baixo!" Espanto máximo, no meio do chão, alheio a quem passasse, estava um livro aberto, com ilustrações de cores que ela nunca tinha visto. Pegou-lhe a medo, tentou lêr mas não conseguia... As letras e as imagens pareciam desfocar. Aproximou o livro dos olhos, num esforço de vêr o que lá estava escrito. Era sem dúvida um livro de aventuras, de contos de fadas como ela tanto gostava. Aproximou-se mais um pouco, e mais, e mais, até que conseguiu distinguir uma libelinha. Como era bonita! Voava leve. Esticou-se para lhe tocar, mas sentiu os pés presos. Olhou para baixo e viu um homem que desesperado lhe agarrava as pernas com força! Sem se aperceber, a rapariga tinha-se aproximado tanto do livro que já tinha passado metade do corpo para o lado de lá. O homem puxava com força e ela olhava para a libelinha que lhe sussurava: "Aqui Alice... aqui..." Com um pontapé soltou-se e seguiu a voz para dentro do livro que se fechou com estrondo no chão da Fnac.!

2:39 da tarde  
Blogger Mary Mary said...

Entendeste-me mal MPR, eu matei foi pai e filha... Mas ficou muito louca essa continuação...

Bem, bem! Este post tem tudo. Drama, acção, conselhos e dúvidas! Vamos continuar por aqui e ver o que acontece... :)

2:43 da tarde  
Blogger joaopedromira said...

Estou a pensar num final alternativo.

2:55 da tarde  
Blogger Miss Xangai said...

Fogo, temos mesmo escritores a bordo de dizconversando*. Jota el joker("pá, olha aí que tás-me a magoar a omoplata esquerda, não viste que acabei de dar uma valente queda??..."- adoro a parte da "valente queda"-), Mary a mórbida("Passa pelo desgraçado que leva um pontapé de tal calibre que ele vai estirar-se ao comprido em cima da linha de metro.
"), Mira o poeta("descobri um silêncio que te substituisse."), Mpr o Sr. Fantasia("Sem se aperceber, a rapariga tinha-se aproximado tanto do livro que já tinha passado metade do corpo para o lado de lá.")

Estou a amar,juro.

Mira, comé?

Ha, eu sou a dramática.Mas isso fica para outro post!

Mais alguém se aventura?

4:13 da tarde  
Blogger MPR said...

Fazendo um parentisis na história... tou a ver se avançamos mesmo com a mui falada e nunca concretizada conversa da jantarada. É o meu post de hoje. Isto é para todos, preciso da ajuda de todos para organizar. Vamos lá avançar com isto. HELP EVERYBODY!!!

4:30 da tarde  
Blogger Miss Xangai said...

(já sabes que podes contar avec moi. Eu acho que devias marcar uma data para não ficar tanto no ar. Vou ler o teu post)

4:58 da tarde  
Blogger joaopedromira said...

desequilibraste-me.

12:49 da manhã  
Blogger joaopedromira said...

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12:52 da manhã  
Blogger joaopedromira said...

poeta n por favor

12:53 da manhã  
Blogger MPR said...

A voz continuava suave... "por aqui Alice... por aqui". Enebriada a rapariga avançava alheia a tudo à sua volta até que, de repente, deu um enorme encontrão numa outra menina que corria por ali. "Bom dia, bom dia... não me posso demorar!" disse-lhe a rapariga "Tenho que correr, estou atrás de um coelho branco!" e levantou-se apressada. "Como te chamas?" perguntou-lhe Alice enquanto a outra se afastava veloz. "Alice gritou-lhe ela à distância! E tu?" - "Eu? Eu tambem sou Alice..." murmurou de si para si e ficou parada por um momento a pensar "Parece-me que já vi esta história em algum lado..."
De repente um arrepio frio na espinha arrebatou-a e fez com que se virasse bruscamente. Não conseguiu conter um grito de assombro perante aquilo que viu...

11:15 da manhã  
Blogger Mary Mary said...

Eu a Mórbida? Vamos lá tentar compensar isto...

O jovem vê a rapariga e vai ter com ela e com a criança nos braços. Começam a conversar, cada um perguntando como vai a vida. O jovem apresenta a criança como sendo sua filha. A rapariga estremece e fica com um olhar um pouco triste. O jovem diz que se casou com a mãe da criança mas que não gostava dela, apenas casou para tentar ser feliz, e porque a mãe da criança ficou grávida.
O metro chega e eles despedem-se, não sem antes trocar números de telefone. Começam a tomar cafés e jantares, até que o jovem ganha coragem e larga a mulher.
Tinham-se apaixonado novamente e viveram felizes para sempre com muitos filhotes e netinhos.

Passarei a ser Mary, a romântica? :P

3:58 da tarde  
Blogger MPR said...

(continuando de onde deixei... que o da Mary saltou por cima...)
... Um gigantesco boneco de chocolate olhava para Alice. Ela, muda, ficou parada de boca aberta. Subitamente o boneco falou "Menina... menina, estás-me a ouvir?" - Alice mal se atrevia a respirar - "Miuda, estás aí? Estás-me a ouvir" - Alice nem se mexia. O boneco baixou-se e pingando chocolate derretido para a cara dela, agarrou-a pelos braços e abanou-a... - "Então?? Responde!" - Alice não acreditava nos seus olhos! O boneco então, bruscamente, deu-lhe um estalo. Alice virou a cabeça para trás com o impacto. Quando se voltou a virar a cara doia-lhe, mas inacreditavelmente já não era um boneco que lhe agarrava os braços, era um homem e ela estava de volta à estação do chiado, ajoelhada no chão, com o sabor acre do sangue a escorrer-lhe no rosto. O sitio estava um caos,policias por todo o lado, pessoas paradas a olhar ou a chorar nos cantos. E Alice sem perceber o que se passava, enquanto um enfermeiro a tentava acordar do estado de choque em que se encontrava... "Já reages miuda, estava a ficar preocupado, como te chamas?" - "Alice" murmurou - "Alice? Que bonito nome. Alice olha para mim, com muito cuidado vamo-nos levantar para eu tratar de ti tá bem?" - "Sim..." respondeu a medo a rapariga. Enquanto se elevava do chão apoiada no homem, Alice olhou para a linha... "Pai? Pai??" - Gritando ela lançou-se na direcção do corpo de seu pai, sendo agarrada pelo enfermeiro que a tentava controlar - "Não, não!!! Pai... PAI!" - Alice começou a chorar descontroladamente e as lágrimas que lhe escorriam pela face enquanto se debatia formaram um lago imenso no chão, de onde floriam pequenas nuvens de açucar. Ela deixou-se ficar a boiar nessas águas multicolores e uma sensação de paz começou a invadi-la enquanto ao longe ouvia a voz do enfermeiro que se desvanecia "não me deixes outra vez miuda, reage! Reage Alice!...."


Silêncio...

Apenas silêncio...



E o ruido da água morna que corria debaixo do seu corpo.
Alice estava feliz. Enquanto se deixava flutuar rumo ao por do sol as folhas nas margens murmuravam suavemente "Não há dor... não há morte..." E Alice deixou-se adormecer embalada pelo seu canto...

10:55 da manhã  

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